Mas para que raio quero eu um blog?

Acenar ou não acenar?

Eu sei que o meu drama, não é exactamente um drama. Há dramas bem maiores no mundo que nos entram diariamente pelos olhos. Mas há os grandes problemas do mundo e os pequenos problemas do quotidiano. 

Quando há 17 anos cheguei ao Luxemburgo, percebi que o simples gesto de esticar o braço, para fazer sinal ao motorista para parar o autocarro, era algo tão irrelevante quanto, fazer sinal ao maquinista de um comboio numa estação ou apeadeiro qualquer. Ninguém o fazia. Houve até uma cena constrangedora quando, depois de mandar parar o autocarro número 3 o motorista disse-me, que ele sabia bem que tinha de parar naquela paragem. Senti que o meu gesto inútil  tinha ofendido o senhor. 

Acenes ou não acenes é certo e sabido que o autocarro vai parar. Até ao dia em que fui deixada para trás. Assim que vi o autocarro subir a ladeira, dirigi-me para a borda do passeio, mas achei que ele vinha com velocidade a mais para quem teria de parar uns metros mais a frente. Mas mostrando a minha completa integração, deixei-me estar tranquila e confiante no, "ele pára". Mas ele não parou, passou por mim numa pirisca e fiquei ali com cara de parva mais 20 minutos à espera do próximo. Naquele momento tive vontade de lhe acenar sim, mas com o dedo do meio erguido.

Foi então que desenvolvi uma técnica, se estou sozinha na paragem, aceno. Quando estou com outras pessoas deixo me estar quietinha, não vão elas pensar "olha, olha, esta não é de cá". Esta minha técnica também não me garante 100% de sucesso. Porque um dia acenei ao motorista para parar e ele acenou-me de volta em sinal de agradecimento e seguiu rumo. Lá deve ter entendido que não era dele que estava à espera e deixou-me apeada mais 20 minutos.

Não sendo um drama, este dilema tem dias que me consome o espírito. Aceno ou não aceno ?

Um dilema Luxemburguês.

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