Mas para que raio quero eu um blog?

Não se pode é abanar o capacete.

Se, por motivos que só a vós vos diz respeito, já fizeram uma ressonância magnética, saberão que, para quem é a primeira vez,  pode ser um bocadinho assustador. Embora eu não fosse completamente tapada, ia bem informada pelo mêrapaz, mais habituado a estas andanças.

Nestes 6 meses, até ao dia em que a coisa se daria, fui lendo sobre o assunto, mas como em tudo na vida as experiências são diferentes de pessoa para pessoa. Enquanto para umas a coisa faz-se com uma perna às costas, para outras só na base de sedativos é que as conseguem meter dentro de um túnel sem luz ao fundo. É a claustrofobia que as impede de vivênciar com serenidade um exame no minimo stressante. 

Pergunta à qual não soube responder. A única experiência "claustrofóbica" que tive na vida foi, ter ficado sentada tranquilamente duas horas dentro de um elevador, à espera que o técnico me viesse socorrer. 

Calhou-me uma menina bem disposta, que, enquanto eu vestia a bata que me deixava à mostra as partes que deviam ser ocultadas, me explicou com voz serena o que ia fazer. Aconchegou-me depois na maca, meteu-me uma almofadinha debaixo das pernas e ofereceu-me uma mantinha para o caso de sentir frio, agradeci mas achei dispensável. De tampões nos ouvidos pediu-me para fechar os olhos, relaxar, não me mexer, apreciar a música e deu-me uma bola para a mão para apertar caso me sentisse mal e quisesse abortar a missão.

Ora, às 7 horas da manhã e com os neurónios ainda meio adormecidos, teria optado por uma banda sonora bem mais tranquila. Uma qualquer sinfonia clássica ao piano, mas a festa começou com martelos, apitos, sirenes, pancadas metálicas, centrifugadoras em acção, o meu sistema nervoso entrou em stress, não iria sobreviver a tamanha merda e tive vontade de mandar parar aquilo tudo. Mas parar, significaria voltar ao inicio e repetir tudo de novo. Então e para tornar aqueles 30 minutos menos enfadonhos e bem mais aprazíveis, concentrei-me nos sons em busca de um padrão musical.

Tivesse eu uma cervejita na mão e os movimentos não limitados dentro de um cilindro que o:"...Kon-kon-kon-kon-kon-kon-kon-konKon-kon-kon-kon-kon-kon-kon-kon... the voices in my head go Kon-kon-kon-kon-kon-kon-kon-kon...", ou o:  "Pu-pu, pu-pu-push, push, push, push, push, push, push, push push, push, push, push, push, push, push, push me... Satisfaction... Satisfaction..." dariam bem conta em abanar o capacete. Mas não podia me mexer!

Quando por fim tudo terminou, sentei-me no café, ainda dentro do hospital, e mandei mensagem ao mêrapaz a informá-lo que a "rave", apesar de não ser um tipo de evento que me agrade, tinha terminado e corrido bem, e que ia tomar o pequeno-almoço antes de ir para casa.

Não sei se esta técnica ajudará a quem sofre de claustrofobia. Quanto a mim, embora tenha passado pela experiência sem grandes danos cerebrais, causados pela violência sonora àquela hora, prefiro não voltar a repeti-la! 

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