Mas para que raio quero eu um blog?

Elas falam tanto.

Dormi mal.

... terá sido do calor, terá sido insónia? Do calor não foi certamente, pois já não faz tanto calor assim. Pelo menos à noite, porque durante o dia, rodamos num espeto sobre a brasa até a pele ficar tostadinha e do corpo esvair aquele suco fedorento que, combinado com perfume provoca gastura mortal, na entrada das fossas nasais.

Estou de mau humor. Desculpem lá qualquer coisita.

Quatro horas separam a última olhadela ao despertador e a hora em que freneticamente tocou: " i feel good tananana, so good..." e foi naquele momento, sentada na borda da cama, de telemóvel na mão pronta para o desligar que, toda a minha existência passou diante dos meus olhos, como se de um filme se tratasse e me perguntei: " porquê?"

- " porque tens contas a pagar" responde-me a cabra da consciência num cérebro ainda adormecido.

Neste momento é-me completamente indiferente se me desculpam ou não. Estou extremamente mal humorada, irritada e rabugenta.

É no doce embalo a reboque, com a 1° engatada e o raciocínio ainda limitado, que ela entra, liga um turbo qualquer e ignorando os sinais de silêncio afixados no autocarro, destrava a roda dentada e desbobina de enxorrilho as desventuras de uma semana conturbada. 

Deus me perdoe.

O meu humor de cão agravou. O estado de irritabilidade acentuou-se e eu percebi que aquela linha que existe entre a razão e a emoção é realmente muito tênue. Tive vontade de lhe acertar sem dó nem piedade com um cascudo no cachaço, mas refleti. Violência é crime e eu não sou uma pessoa violenta.

Resolvi então fazer como o "cabrão do frango", "alimentado com o bom e o melhor", que indignado com a situação e temeroso pelo triste final que se previa doloroso, fugiu, deixando-a sem almoço para sábado.

Desculpem lá qualquer coisita mas acordei virada.

Mas no fundo e com a irritação que trago no corpo, é-me indiferente se desculpam ou não.

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