Embora saibamos qual o fim de todos, nada nos prepara para a despedida, quando se ouve uma condenação à morte com um "não há nada que possamos fazer", três meses depois de "uma simples operação à próstata".
Visualizamos a morte como uma linha no horizonte, ténue e desfocada, onde um dia, indeterminado e incerto, irá surgir um barquinho, primeiro do tamanho de um grão de areia, pouco visível à distância e aumentando de dimensão à medida que se aproxima, para nos levar naquela que será a nossa última viagem sem retorno àquela praia.
- " quanto tempo?"
- " não lhe sei dizer"
Que o barquinho que te vem buscar seja sem remos e que venha à deriva na ondulação, porque a tua "velhinha" não sabe ficar sem ti, pai.