Mas para que raio quero eu um blog?

E eu ali, a ver e a ouvir

Iam sentados lado a lado, à minha frente no autocarro. Ela olhava para a direita. Ele olhava para a esquerda. De repente sem que nada o fizesse prever, viraram-se um para o outro e começaram a falar. Ele quer voar, ela quer criar raízes. Ele quer descobrir, ela quer assentar. Ela quer uma casa cheia, ele não quer filhos. Ele gostava de acreditar. Ela preferia duvidar. Àquilo que ela chamava segurança, ele chamava monotonia. A conversa continuou, mas a certa altura as palavras endureceram. Calaram-se. Ela virou o rosto para a direita, ele virou o rosto para a esquerda. E eu fiquei a pensar, na possibilidade de existir um ponto comum no caminho de duas pessoas tão diferentes. 

Fixei os olhos no livro que tinha aberto nas mãos, mas as vozes na minha cabeça entoavam de forma silenciosa "... não se ama alguém que não ouve a mesma canção..."

 

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