"O Luxemburgo continua a figurar entre os países mais ricos do mundo em 2025 em termos de PIB per capita..."
"Luxemburgo é o país do mundo com a maior densidade de milionários entre a população adulta, com estimativas apontando que mais de um em cada sete adultos ... "
"Há 70 pessoas residentes na cidade do Luxemburgo que têm um património estimado em mais de 100 milhões de dólares (cerca de 88 milhões de euros)..."
Há pessoas que têm muito, quase tudo. Há pessoas que têm pouco. Quase nada. Todos o sabemos, todos convivemos com isto diariamente em modo mais ou menos indiferente. Se calhar isto do tudo ou nada é uma inevitabilidade da vida. O que eu gostava mesmo é que um dia me explicassem sem repostas prontas, tais como: "... a cabeça não dá para mais...", "... são escolhas..." , "...perderam-se..." " ...é um problema social...", quando sobre o assunto não nos interessa falar.
Não vou falar dos milionários do Luxemburgo, que vivam felizes dentro da bolha com os seus milhões. Nem se o Luxemburgo tem condições para resolver de forma eficaz os tais "problemas sociais" porque todos sabemos que tem, mas também sabemos que não interessa.
Também não vou conjugar o verbo, nem falar dele no sentido de ser existência, mas sim, no sentido de ser presença.
Vou falar daqueles com quem me cruzo todos os dias, que dormem à minha porta e independentemente dos motivos que os levaram à rua, são seres humanos e merecem minutos da minha atenção. Porque há pessoas que já não pertencem a ninguém. Já não são filhos nem pais de ninguém. Não são maridos, esposas, cunhados, irmãos, primos, avós, colegas, amigos nem vizinhos de ninguém. É como, se pura e simplesmente tivessem sido colocados no mundo e aí existam, transparentes. Dão passos sem deixar rastro, expressam-se sem que ninguém os ouça ou entenda.
Alguns, confudem por vezes o ter com o ser e desfilam orgulhosos a ostentação da sua riqueza. Mas dá-me a sensação que não conseguem perceber que também eles, para o mundo são invisíveis.
Depois há os outros, aqueles que não misturam conceitos, porque não conhecem a palavra ter e que infelizmente há muito deixaram de ser. Estes por quem passamos e fingimos não ver, que não olhamos para o rosto, de quem não sabemos o nome, nem conhecemos a história, estes que não são de ninguém porque também não têm ninguém para lhes chamar de seu. Estes de quem não há um número certo e de quem pouco se fala, o governo "tem vontade" de desenvolver novos projetos... e, talvez seja isso o que mais falta na sociedade o "ser de presença".